

De Quaraí ao mundo, o piano de Miguel Proença fez o Brasil ressoar em silêncio e glória.
Intérprete ímpar da música de concerto, resgatou Villa-Lobos, Nepomuceno e mestres quase esquecidos.
Com mais de sessenta anos de arte, levou nossa alma aos palcos dos cinco continentes.
Gestor, professor e sonhador, semeou cultura onde o acesso era raro.
Sua herança permanece: teclas que ainda cantam a identidade brasileira.
Eu, como compositor e pianista que também atravesso universos, do concerto ao jazz, da música popular às trilhas de cinema, ofereço a Miguel Proença esta Fantasia Proença.
Nas teclas do piano, o gaúcho de Quaraí, que levou Villa-Lobos, Nepomuceno e tantos outros compositores brasileiros ao mundo, me inspirou a homenageá-lo: frases que se abrem como o seu fraseado, ecos de Cirandas e serestas misturados à liberdade de quem nunca se fechou em um só idioma sonoro.
Ele habitou todos os palcos e todos os silêncios. Esta fantasia é apenas o meu respeito em forma de piano: um diálogo tardio, uma saudação de um músico a outro que soube fazer da técnica um ato de amor à nossa música.
Que as notas o reconheçam. Que o piano continue cantando o que ele nos ensinou a ouvir.



